Tática no Futebol – Processos de Jogo

“Os ataques ganham jogos, as defesas vencem campeonatos”

(Phil Jackson)

 

Após falar inicialmente nesta rúbrica sobre os Princípios Táticos, sigo falando sobre os Processos de Jogo,

processos esses mais visíveis a “olho nu”, para o comum adepto de futebol.

Processos de Jogo

Representam as etapas percorridas no desenvolvimento, tanto do ataque (Processo Ofensivo) como da defesa (Processo Defensivo), desde o seu início até a sua completa consumação.

Processo Ofensivo

  • Conceito
    • Este processo é objetivamente determinado “pela equipa que se encontra em posse de bola, com vista a obtenção do golo, sem cometer infrações às leis de jogo”
      • A equipa que ataca, também pode:
        • Controlar o Ritmo de Jogo;
        • Surpreender a equipa adversária;
        • Crise de raciocínio tático;
        • Recuperar fisicamente;
  • Objetivos 
    • Aproveitamento do momentâneo desequilíbrio da equipa que se encontrava a atacar;
    • Movimentações constantes em largura e profundidade, sem nunca perder de vista a bola;
    • Evitar perda imediata da posse de bola, isto é, atrasar o mais possível a sequência defensiva-ofensiva-defensiva;
    • Inteligência contextual, com uma correta leitura de jogo para determinar qual o melhor método de ataque;
  • Etapas
  • Métodos

Segundo (Castelo, 1994) e Garganta (1997) existem três métodos de jogo ofensivo fundamentais: o contra-ataque, o ataque rápido e ataque posicional. De acordo com Castelo (1996:133), visam essencialmente assegurar três objetivos fundamentais:

    1. “A criação de condições mais favoráveis, em termos de tempo, espaço e de número, para a concretização do objetivos do ataque ou dos objetivos táticos momentâneos da equipa, levando consequentemente os adversários a errar;
    2. A contínua instabilidade da organização da defesa adversária, em qualquer das fases do processo ofensivo;
    3. A execução da maior parte das ações técnico-táticas individuais e coletivas, em direção à baliza adversária ou para zonas vitais do terreno de jogo;
  • Contra Ataque
    • “Método de jogo ofensivo que se manifesta sempre que após a recuperação da posse de bola, se utiliza o momentâneo desequilíbrio defensivo adversário, resultante da ação ofensiva que este realizava”
    • Caracteriza-se por:
      • Circulação rápida da bola, em profundidade;
      • Mínimo de passes e jogadores;
      • Movimentação rápida dos jogadores;
      • Jogo direto;
  • Ataque Rápido
    • As características são as mesmas que foram referidas para contra ataque, com exceção da fase de finalização que terá que ser preparada já com a equipa adversária organizada no seu método defensivo.
  • Ataque organizado (Posicional)
    • Manifesta-se cada vez que após a recuperação da posse de bola, não é possível utilizar um eventual desequilíbrio defensivo da equipa adversária.
    • Caracteriza-se por:
      • Abrandamento relativo das Ações Ofensivas;
      • Elevada elaboração na fase de construção do processo ofensivo;
      • Realização de ações ofensivas que criem superioridade numérica;

Processo Defensivo

  • Conceito
    • “Representa a fase fundamental do jogo, na qual uma equipa luta para entrar na posse de bola, com vista à realização de ações ofensivas, sem cometer infrações e sem permitir que a equipa adversária obtenha golo” (Teodorescu, 1984)
    • A equipa que defende também pode:
      • Reduzir o tempo e espaço disponível dos atacantes;
      • Pressão constante no portador da bola;
      • “Fechar” as linhas de passe em largura e comprimento;
      • Obrigar o ataque a preocupar-se com a proteção da sua própria baliza;
    • O processo defensivo começa antes da perda da posse de bola, isto é, os atletas que não participam diretamente no processo ofensivo, devem preparar-se mentalmente para defender. “Se a minha equipa perder a bola, eu estou bem posicionado para recuperá-la”.
  • Objetivos 
    • Defesa da baliza:
      • Logo após a perda da posse de bola, deve-se dar prioridade á defesa da baliza, através de um posicionamento de acordo com a trajetória da bola – adversário – baliza;
    • Recuperação da posse de bola:
      • Dois tipos de atitude:
        • Uma grande pressão, dinamismo, ritmo, tempo e agressividade, sobre os jogadores com ou sem posse de bola – características das equipas de alto rendimento;
        • Esperar que a equipa adversária perca a posse de bola de bola;

O processo defensivo começa antes da perda da posse de bola, isto é, os atletas que não participam diretamente no processo ofensivo, devem prepara-se mentalmente para defender. “Se a minha equipa perder a bola, eu estou bem posicionado para recuperá-la”.

  • Etapas
  • Métodos

Existem três métodos de jogo defensivo fundamentais: defesa individual, defesa á zona, defesa mista, defesa pressionante.

  • Defesa Individual
    • Método de jogo defensivo que se manifesta através da utilização da marcação individual.
    • É a lei do um contra um;
    • É uma organização cuja capacidade física é fundamental;
    • Cada atacante é marcado por um defesa;
    • Responsabilidade individual ao mais alto grau;
  • Defesa à zona
    • “Fundamentalmente devemos procurar fechar espaços, condicionando a ação e a progressão dos adversários” (Vítor Frade)
    • É a lei de todos contra um;
    • Cada jogador é responsável por uma zona do campo;
    • Defesa em linha para situação de fora de jogo;
    • Forma-se uma primeira linha defensiva perto da bola, forçando os adversários a ter que a circular, simultaneamente e organiza-se um outra linha defensiva que assegura a cobertura permanente à primeira linha defensiva;
  • Defesa mista
    • Expressa-se pela síntese do método zona e do método individual;
    • Cada jogador evolui na sua zona e marca o adversário de posse de bola pressionante, mesmo que este progrida para outra zona;
    • A cobertura defensiva ao 1º defesa é menos rigoroso que no método misto.
  • Defesa pressionante
    • “Criar as condições mais favoráveis para a recuperação da posse de bola longe da nossa baliza defensiva aproveitando o desequilíbrio defensivo do adversário com transições/contra-ataques”;
    • Concretiza-se pela organização e reequilíbrio defensivo em bloco homogéneo, compacto e agressivo, diminuindo o espaço de jogo, “cortando” todas as possíveis linhas de passe em direção à baliza “fechar o jogo interior” de modo a diminuir a iniciativa e a rapidez do raciocínio/decisão técnica/tático do adversário obrigando a jogar para o lado ou para trás;
    • Marcação rigorosa do adversário de posse de bola;
    • Toda a organização defensiva se desloca de uma forma homogénea e concentrada em função do deslocamento da bola;
    • Cada jogador evolui na sua zona de marcação, mas deverá deslocar-se para outras zonas concentrando -se nos espaços de jogo próximo da bola, marcando agressivamente zonas adversários que possam dar continuidade ao processo ofensivo;

Esta é a Ciência do Golo.