Começar o ano a pensar na nossa saúde

Olá  a todos,

 

Bem dispostos?

 

Espero que tenham feito uma mega entrada no novo ano e que não estejam a ser aliciados por detoxes e dietas milagrosas. Nesta altura do ano é muito frequente vermos publicidade relativamente a perdas de peso rápidas. Lembrem-se que, embora perder peso possa ser um objetivo válido e podemos trabalhar para ele, não queremos que seja «demasiado rápido» a ponto de nos fazer perder todos os momentos importantes da nossa vida, sem qualquer aprendizagem pelo meio. Costuma ser um dos meus conselhos para esta época.

 

Hoje queria partilhar com vocês algumas estratégias que gosto de promover como parte de hábitos alimentares saudáveis e que podem, desde que ajustadas para a realidade de cada um, levar a uma perda de peso.

  • Antecipar momentos de fome e evitar momentos em que estamos «super cheios». Conhecermos o nosso corpo de forma a percebermos melhor a nossa fome e saciedade, mas evitando os extremos (quem é que gosta e acha confortável estar cheiiiinho de fome ou tão cheio que sentimos que vamos rebentar?). À partida, se não estivermos cheios de fome não vamos comer «imenso» e conseguirmos gerir melhor as quantidades ingeridas e ter uma digestão bem mais «serena». Por isso a tão conhecida «regra de comer de 3h em 3h». Aconselho a não seguirem esta regra à risca, honestamente. Faz mais sentido percebermos o nosso dia a dia, quando podemos comer e que alimentos nos saciam mais. Adaptarmos a nossa alimentação à nossa realidade (laboral, familiar etc) – e não o contrário, como teremos de fazer com aquelas dietas XPTO.
  • Não julgarmos o que comemos. Permitirmo-nos comer de tudo. Na sequência do ponto anterior – quantas vezes achamos que «estamos a comer demais», mesmo sentindo fome? Quantas vezes nos apetece «algo que achamos que não podemos comer»? Fará sentido pensarmos assim? Se estivermos conectados com o que são os nossos sinais de fome e saciedade, não fará sentido respeitá-los? Não é suposto termos a «mesma fome» todos os dias, por isso se um dia tivermos mais fome e comermos mais e no dia seguinte menos – é mesmo assim 🙂
  • Comer legumes e fruta é extremamente importante.
  • Beber água também é extremamente importante. Não vale a pena acharmos que hábitos saudáveis podem não incluir legumes, fruta e água. Não podem. Por isso podemos despachar já este ponto e focar as nossas energias em «como tornar os legumes comestíveis e deliciosos para mim?» , e «como ingerir mais fruta?» e « como aumentar o meu consumo de água?». É isto. Se não gostamos de legumes ou fruta pode ser porque simplesmente ainda não descobrimos uma forma de os ingerir que nos dê prazer. Quem aqui nunca experimentou uma situação em que achava que não gostava de um dado alimento e depois – «ah, afinal gosto». É a vida 🙂 Quanto à água, bebam a quantidade que vos fizer ter uma urina inodora e quase incolor – será à volta do 1,5L por dia (8 copos de água). Tentem aumentar de forma gradual e consistente.
  • O exercício não serve só para queimar calorias. Precisamos de nos mexer. Por isso encontrem uma atividade que vos dê prazer, de forma a que seja mais fácil mantê-la.
  • Se nos focarmos mais em comportamentos e menos em calorias e alimentos específicos, acho que as coisas correm melhor. Esta é a minha opinião profissional resultado do que vou acompanhando em consultas. Muitas vezes os resultados não aparecem porque «não vemos o panorama geral». Se pensarmos mais nos pontos acima e menos em seguir dietas específicas que não funcionam para nós, ou em passar fome até atingir dado número na balança (…) – provavelmente as coisas correm melhor.

Por isso, que este ano seja rico em várias resoluções que são efetivamente promotoras de sáude e que tenhamos um espírito mais crítico em relação às promessas milagrosas (que de milagrosas nada têm) relativamente a perdas de peso rápidas.

 

Nutricionista Andreia Lopes, 3742N