Categoria: Fisioterapia

Pubalgia de esforço

A pubalgia é uma disfunção caracterizada por dor na região púbica ou inguinal.

Esta patologia está associada a desportos que exijam mudanças bruscas de direção ou remates repetitivos.

É cada vez mais frequentemente diagnosticada em atletas amadores e profissionais, sendo um desequilíbrio musculoesquelético a causa da dor na região púbica.

O desequilíbrio entre a musculatura abdominal (enfraquecida) e os adutores da anca, associado aos microtraumatismos de repetição durante a atividade desportiva, provoca a lesão da musculatura em redor da sínfise púbica e da cartilagem articular da própria sínfise.

A lesão é mais comum em homens, acredita-se que a forma pélvica das mulheres previne o aparecimento de
sintomas.

O diagnóstico da pubalgia é realizado através de uma avaliação dos sintomas e/ou exame complementar. Na avaliação, observa-se a presença de uma exacerbação de sensibilidade no tubérculo púbico. A dor também pode ser ocorrer na flexão e rotação interna da anca e contração da musculatura abdominal. O importante do diagnóstico é estabelecer uma relação entre o histórico e o exame físico.

O tratamento conservador da pubalgia, caso não exista perda de mobilidade da anca, visa o repouso, uso de técnicas anti-inflamatórias e o reequilíbrio dos grupos musculares envolvidos na lesão.

Lesão Ligamento Cruzado Anterior

A lesão do Ligamento Cruzado Anterior (LCA) é um evento que altera a vida e afeta significativamente a carreira de um futebolista. O LCA cumpre um papel fundamental na estabilização do joelho prevenindo uma anteriorizarão e rotação interna da tíbia.

A lesão do LCA ocorre especialmente em mecanismos de não contacto, representando 85% das lesões em futebolistas. Este mecanismo ocorre com um movimento de valgo do joelho em extensão combinado com rotação externa da tíbia.  Analises de vídeo demonstram jogadores profissionais com maior risco de lesão nos minutos finais da partida em situações de pressão da equipa contrária.  Este mecanismo ocorre geralmente em situações de defesa e/ou entradas perigosas do adversário, sendo os avançados e defesas os mais afetados.

Na grande maioria das lesões o tratamento cirúrgico é o mais utilizado sendo o ligamento reconstruído com um excerto dos músculos isquiotibiais. Para que o joelho esteja desinflamado, com boa mobilidade e exista um adequado controlo muscular para retorno à competição são necessários, em média, 8 meses de recuperação

Entorse da Tibiotársica

Em um desporto como o futebol com golpes repetidos, mudanças de direção frequentes, acelerações e desacelerações, a articulação do pé é particularmente vulnerável.

Historicamente a entorse tibiotársica no futebol profissional é a lesão mais comum (cerca de 30% de
todas as lesões). Além da lesão, o índice de recidiva varia entre os 4 e 29% dos atletas que algumas vez tenham sofrido uma entorse. Esta percentagem traduz num período de paragem entre os 10 a 24 dias, podendo chegar aos 28 dias em lesões mais severas.

Em situação de jogo, a entorse da tibiotársica é mais frequente na segunda parte ou nos últimos minutos da primeira parte pelo qual atribuímos a fadiga neuromuscular como principal causa.

Descanso, aplicação de gelo e ligadura funcional são algumas das técnicas mais utilizadas para a recuperação numa fase inicial de tratamento.

As botas adequadas para prevenir lesões

Devemos ter em conta que as botas de futebol são um calçado com características específicas pela utilização dos pitons na sua superfície. Ao colocarmos os pés sobre umas botas de futebol, existem pontos de pressão muito específicos no pé, pelo qual, a escolha incorreta da bota leva a um risco elevado de lesão.Uma inadequada escolha das botas poderá provocar lesões a nível do joelho, rotura do ligamento cruzado anterior ou menisco, causadas por movimentos de torção do corpo bloqueados pelos pitons das chuteiras no terreno. No pé, encontramos lesões por instabilidade, como entorses, ou lesões por falta de amortecimento, como edemas ósseos.

Para uma escolha correta do tipo de botas, devemos conhecer a superfície na qual vamos jogar. Para terrenos de relvado sintético, sobretudo os de tipo “tapete” o mais indicado são botas sem pitons que incorporem apenas pequenas rugosidades. Se o relvado sintético é de gama média, botas com multi-pitons pequenos serão a melhor opção.  Se a prática desportiva for em relvado natural os pitons de alumínio são a melhor opção, se o relvado estiver nas melhores condições. A largura frontal da bota é outro fator decisivo. Lesões como a fratura do 5º metatarso pode ser resultado de botas com  uma largura mais estreita.

Outras considerações a ter na escolha da bota:

  • Escolher o tamanho correto da bota. Tamanhos acima levam a um aumento da instabilidade
    articular do pé;
  • Quanto mais pitons tiver a bota melhor se repartirá o peso do corpo, reduzindo o risco de lesões. Contudo devemos ter em conta o tipo de piso em que jogamos para evitar quedas ou resvalos;
  • Um atleta profissional utilizará várias botas ao ano, o amador começará e terminará com as mesmas botas. É fundamental verificar o estado das botas para diminuir o risco de lesões.

Qual a melhor forma de recuperar após o exercício?

Dormir!

Entre os vários métodos de recuperação pós-exercício, crioterapia, boa hidratação, atividade física de baixa intensidade ou uma alimentação equilibrada, o sono começa a afirmar-se como o método de recuperação muscular mais importante.

Dormir fortalece o sistema imunitário, aumenta o limiar de dor e reduz hormonas que inibem o tempo de reação. Um atleta com perturbações durante o sono, ou que durma menos de 8 horas por dia, terá, provavelmente, um aumento de hormonas como por exemplo, o cortisol.

Esta hormona é essencial nos mecanismos de resposta ao stress e tem um papel importante sobre o sistema imunitário.

Este aumento hormonal pode reduzir o tempo de reação, a velocidade, a coordenação, a recuperação muscular e a capacidade de concentração.

Por outro lado, se o atleta tem cerca de 8 horas de sono diárias sem perturbações, além de fortalecer o seu sistema imunitário e aumentar o limiar de dor, terá uma melhor recuperação muscular, conseguindo manter os níveis de velocidade e concentração necessários para o treino.

Uma boa noite de sono e descanso será, tendo em conta o apresentado em cima, o método mais económico e mais relevante para uma recuperação eficaz após a prática de exercício físico.

Crioterapia: mito ou verdade?

Favorece uma correta recuperação após múltiplas sessões de treino,
encurtando o tempo de descanso entre as práticas desportivas e podendo assim
aumentar a carga em sessões seguintes. A imersão em água fria está na moda, e é
uma das estratégias mais populares em desportos de equipa para acelerar a
recuperação do atleta.

Prós e contras da imersão em água fria?

A imersão em água fria é utilizada, uma vez que, a aplicação de frio
diminui a velocidade de condução do sinal nervoso e fluxo sanguíneo, limitando
assim a perceção de dor, processos de inflamação e edema, provocados pelo
exercício de alta intensidade. Estudos comprovam que após 10 minutos de imersão
com água a 10ºC os atletas sentem menos fadiga e dor muscular comparativamente com
o grupo controlo.

Apesar deste benefício, a inflamação que acompanha o exercício é um
mecanismo que favorece adaptações de treino, hipertrofia muscular e aumento do
número de mitocôndrias (indispensável nos desportos de longa duração). Ao
bloquear a inflamação com a aplicação de frio pós-exercício, estamos a diminuir
os mecanismos de adaptação tão importantes para o aumento da performance
desportiva.

Conclusões

A aplicação de frio pode ser recomendável quando o objetivo é reduzir a dor
muscular e atenuar a perda de rendimento, sobretudo quando existem vários jogos
num curto espaço de tempo. No entanto, esta estratégia parece bloquear a
adaptação muscular ao exercício e, como tal, não é recomendável a sua
utilização de forma continua numa planificação de rendimento a longo prazo.

Prolongar a carreira profissional

Zlatan Ibrahimovic, de 39 anos, com o seu regresso à liga italiana na época passada.
Cristiano Ronaldo, 35 anos, em busca da sexta Champions-League. Lionel Messi,
33 anos, último vencedor do FIFA Ballon d´Or.

Estes são três exemplos, entre muitos outros, que questionam o estereótipo que a carreira de futebolista começa a declinar quando se ultrapassa a barreira dos 30 anos. Segundo este estereótipo, um futebolista pode ser considerado jovem até aos 25 anos, alcançar o seu máximo entre os 25 e 30 anos, e depois iniciar uma diminuição do seu rendimento desportivo.

O alargamento da vida desportiva dos atletas também se observa noutras disciplinas. Rafael Nadal conquistou o seu 13º título de Roland Garros aos 34 anos somando vinte títulos do grand slam. LeBron James leva a sua equipa LA Lakers ao 17º título de NBA e ao seu 4º titulo pessoal, em 2020, com 34 anos. Francesca Canepa antiga snowboarder e atual atleta de trail runnig vence a prova do UTMB em 2018, com 46 anos.

Na imagem seguinte podem verificar que a combinação de múltiplos fatores como a capacidade psicológica, a capacidade física, a alimentação, a recuperação, entre outros,
explicam que os atletas podem prolongar as suas carreiras desportivas, ao mais alto nível, em idades mais avançadas.

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