Alimentação saudável – por onde começar?

É indiscutível o papel que uma alimentação adequada representa no nosso estado de saúde. Mas é discutível,
cada vez mais, o que significa «adequada» para mim. Dados os meus gostos, a minha cultura alimentar, a minha atividade física, alguma condição clínica que possa estar presente, entre outros, o que é adequado para mim pode não o ser para ti. Então, embora neste gabinete de opiniões se vá falar muito de alimentação e nutrição, vou fazê-lo de uma forma geral, pelo que se surgir alguma questão individual peço que me contactem.

Hoje em dia fala-se muito de ser saudável e de alimentos saudáveis – maioritariamente, até, de «sobremesas saudáveis» (versões geralmente melhores do que as originais, que tendem a ser calóricas). Queria, então, começar por explicar um pouco estes conceitos.

Em primeiro lugar, o ser saudável não é uma característica de UM alimento por si só. Não existe algo como «o
chocolate não é saudável, a aveia é». Isto é FALSO. O conceito de saudável aplica-se a nós, indivíduos, ao nosso estilo de vida, caso sejam cumpridas várias questões relativas à alimentação, atividade física e outros. No que
respeita à alimentação saudável (porque é para isso que cá estamos hoje) há alimentos que devemos consumir com mais frequência, e em maior quantidade e outros cujo consumo deve ser mais esporádico; em adição,é importante salientar que não existem alimentos proibidos. Ou seja, partindo do exemplo anterior, devo consumir mais frequentemente e em maior quantidade aveia e mais esporadicamente chocolate. Mas posso consumir dos dois! (E não, o chocolate não tem de ser negro). Continuando nesta linha de raciocínio, posso comer mousse de chocolate
sem ter que procurar por uma versão «saudável». Porque é saudável consumir mousse de chocolate, desde que enquadrado num contexto alimentar equilibrado – especial atenção aqui quando virem receitas de sobremesas «saudáveis», «fit», «sem refinados», «sem glúten»…Na maioria das vezes, apenas nos leva a gastar mais dinheiro em produtos cujo interesse nutricional para o fim em questão é nulo. Então, na minha opinião, penso que precisamos todos de pensar um pouco mais sobre como podemos tornar a nossa alimentação mais adequada. De uma forma
geral, devemos pensar em:

–      consumir sopa ao almoço e jantar, e hortícolas no prato (2 folhas de alface pode ser um bom começo, mas não chega)

–      optar pela fruta como sobremesa de eleição e/ou incluí-la nos lanches

–      beber pelo menos 1,5l de água por dia

–      consumir hidratos de carbono como arroz, massa, batata, pão, aveia na maioria das refeições (muita atenção à restrição de hidratos de carbono)

–      optar por lácteos magros ou alternativas vegetais 0% de açúcar adicionado

–      consumir de forma regular oleaginosas como nozes, amêndoas, e sementes e o azeite como gordura de eleição

–      adequar as minhas refeições ao meu estilo de vida (nem todos temos de fazer 5 refeições por dia – posso fazer 3 ou 4 ou 5 refeições desde que estejam adequadas às minhas necessidades no momento)

–      diminuir o consumo de fontes de proteína animal e aumentar o consumo de fontes de proteína vegetal

–      diminuir o consumo de sal, privilegiando a utilização de ervas aromáticas

Quanto a estes pontos que falei aconselho a leitura dos 10 princípios da Dieta Mediterrânica (não é «mais uma dieta!»), que podem encontrar em:

dietamediterranica.net

Espero que este primeiro texto vos tenha dado vontade de olhar para a alimentação com uma visão mais crítica e de querer saber mais sobre este tema.

Até ao próximo mês!

«Nutricionista Andreia Lopes, 3742N»